Natron, o lago que transforma animais em pedras

| 23 de out de 2013
Localizado no Vale do Rift, ao norte da Tanzânia o lago Natron tem 3 metros de profundidade de águas com enorme quantidade de sal alcalino e, à medida que evapora na época da seca, aumenta muito a taxa de sal da região.

O nome Natron não foi escolhido por acaso: é referência ao mineral natron, também conhecido como o carbonato de sódio deca-hidratado, cuja presença dá a suas águas um teor alcalino absurdamente alto. Com um pH entre 9 e 10.5 e temperaturas que podem chegar a 60 °C, fazem com que poucos animais consigam viver ali.

Existe vida no lago

Vários microrganismos adaptados a ambientes salinos conseguem se desenvolver em lugares como esse, como por exemplo, algumas cianobactérias (que possuem uma cor avermelhada, bastante característica das águas do Natron).

Além delas, o Lago Natron também é lotado de flamingos (Phoenicopterus minor), que passam o dia comendo essas cianobactérias, e também de um tipo de tilápia (Oreochromis alcalica) que vive e se reproduz próximo às nascentes de água quente que brotam em certos pontos no lago.

Animais petrificados

Uma polêmica iniciou-se com as fotos de Nick Brandt, fotógrafo e autor do livro Across the Ravaged Land (Por toda a terra devastada), que mostrava os animais petrificados. As fotos eram publicadas com o mito de que o lago tem o superpoder de transformar aquilo que mergulha em suas águas em pedra, uma espécie de “Lago Medusa“, como afirmou algumas páginas da internet.



Os animais que aparecem nas fotos são (ou foram) animais vivos
que ficaram preservadas no sal com natrão, mas isso não aconteceu instantaneamente
(Fotos: Reprodução/ Nick Brandt)

Brandt comenta em seu livro que encontrou os animais mortos ao longo da costa do Lago Natron, e que ninguém sabe ao certo como eles morrem, mas ao que tudo indica, o lago reflete bastante luz e isso os confunde (igual ao pássaro que se machuca ao chocar-se com um vidro).

Ao cair no lago, os animais morrem afogados e com o tempo, ao invés de apodrecerem, acabam se calcificando, à medida que secam na margem. Os bichos ficam mesmo parecidos com estátuas de pedra.

As fotos são extraordinárias, mas foram montadas por Brandt, que pegou os animais mortos no lago e os colocou em posições como se ainda estivessem vivos.

“Eu tirei essas criaturas de onde as encontrei no litoral e, em seguida, coloquei-as em posições ‘vivas, trazendo-as de volta para a ‘vida’, por assim dizer. Reanimados, vivos outra vez na morte.”, explica Nick Brandt em seu livro.

Com informações de Mundo Estranho e E-farsas
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