Grandes personagens tinham apelidos

| 18 de dez de 2013
"Palha no Nariz” redesenhou o mapa da Europa e subjugou um terço dos habitantes do continente ao seu poderio militar. Não sabe de quem estamos falando? Talvez o conheça por Napoleão Bonaparte. O poderoso imperador recebeu esse ridículo apelido de colegas quando era criança. No século 18, o nome Napoleão já era bem estranho. Por isso, o tímido garoto era chamado de “Naipolloné”, mais sonoro aos ouvidos franceses. De Naipolloné para “La-Paille-au-Nez” – em português, Palha no Nariz – foi um pulo, graças à sua impopularidade.
Muitos outros grandes personagens da história também tiveram um apelido maldoso. Fidel Castro já foi chamado de “Bola Suja”. É que, aos 16 anos, o presidente de Cuba não gostava muito de certas “convenções sociais”. Tomar banho era uma delas.

Nem todos os apelidos têm origem em críticas. Dentre os benquistos está Castro Alves, o “Poeta da Liberdade” ou “Poeta dos Escravos”. Em casa ele era apenas “Cecéu”. Já Karl Marx era chamado pela filha de “O Mouro”, por causa da pele morena. Até o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici tinha um apelido carinhoso. Ele comandou os anos mais terríveis da ditadura militar no Brasil, mas nos campos de futebol amador de Bagé era o centroavante “Milete”.

Alcunha originou sobrenome

Da maneira como conhecemos hoje, os sobrenomes só começaram a ser usados oficialmente no século 15. Antes disso, o único jeito de diferenciar uma pessoa de outra com o mesmo nome era através dos apelidos. Para isso, era comum recorrer ao nome do pai, o lugar de nascimento, a profissão e até características físicas ou morais do cidadão. Alguns apelidos comuns na França eram Bienboire (bom de copo) e Fritier (vendedor de peixe frito). Já na Espanha e em Portugal eram usadas as terminações “–ez” e “–es” para designar o “filho de alguém”. Assim, Antunes era o filho de Antônio, e Sánchez, de Sancho.

Mas, com o crescimento das cidades, o sistema se tornou ineficiente. Decretos governamentais passaram a exigir o registro de sobrenomes e as pessoas recorreram aos nomes informais que já usavam. Desta maneira, os apelidos foram oficializados e se tornaram sobrenomes de família. A relação entre apelidos e sobrenomes continua tão forte que, em espanhol, a palavra “apellido” significa sobrenome.

Nomes reais

• Para os monarcas, os apelidos eram importantes – como seus nomes tinham caráter hereditário, a alcunha era usada como diferencial. Entre os nomes mais estranhos figura o do rei dos francos, Pepino, o Breve. A explicação? Embora as biografias não apontem suas medidas, ele era considerado baixo. Daí surgiu o "Breve". (Já o esquisito Pepino era o nome dele mesmo.)

• Ricardo, filho do rei inglês Henrique II (que governou no século 12), ficou conhecido como Coração de Leão – obviamente, por causa de sua coragem. Seu irmão caçula, João, virou João Sem Terra: como era o quarto filho, não teve direito à herança. Ele foi obrigado a assinar a Carta Magna em 1215, embrião dos direitos humanos e que o impedia de cobrar os altos impostos que vinha recolhendo.

• Também na Inglaterra, Mary I, filha de Henrique VIII, teve um curto reinado (5 anos), porém bastante conturbado. Numa tentativa de restaurar o catolicismo e acabar com a igreja que seu pai fundara, ela queimou vivos 300 anglicanos e prendeu sua meia-irmã. Transformou-se em "Maria Sangrenta" – em inglês, Bloody Mary, nome que batizou uma bebida feita com vodca e suco de tomate.

Fonte: Guia do Estudante/Aventuras na História
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