Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…

| 5 de fev de 2014
via Folha de São Paulo

Astrônomos acabam de anunciar a descoberta da galáxia mais antiga já observada.

Sua luz, detectada originalmente pelo Telescópio Espacial Hubble e depois observada em mais detalhes pelo Observatório Keck, no Havaí, e pelo Telescópio Espacial Spitzer, é de uma época em que o Universo tinha “apenas” 700 milhões de anos.

Pode parecer muito, mas é menos de 5% da idade atual do Universo — 13,8 bilhões de anos.

Estudar as profundezas do espaço é como usar uma máquina do tempo. E foi basicamente isso o que fez a equipe liderada por Steven Finkelstein, da Universidade do Texas em Austin.

Imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a galáxia mais distante conhecida (em destaque)
Eles partiram de uma amostra de alguns dos objetos mais antigos já detectados, a fim de estudar como era o Universo em sua infância. Isso é possível porque a velocidade da luz é finita (cerca de 300 mil km/s). Assim, a luz que saiu desse objeto quando o Universo era novo só chegou aqui agora, estando disponível aos astrônomos para estudos.

A galáxia, que leva o antipático nome z8_GND_5296, tem algumas características peculiares que ajudam a compreender o que estava rolando no cosmos nessa época. Embora ela não passe de uma manchinha de luz nas imagens colhidas pelos astrônomos, há muita informação para se extrair dela.

Um exemplo é a constatação de que essa galáxia antiga produzia novas estrelas a um ritmo 150 vezes maior que o da Via Láctea — a nossa galáxia — nos tempos atuais.

Especula-se que ela seja um dos primeiros objetos a emergir da chamada “era da reionização” — um nome complicado para definir a época em que o Universo deixou de ser opaco e a luz passou a circular livremente.

Se isso for confirmado, trata-se de uma ótima janela para observar as condições do cosmos numa época próxima à formação das primeiras galáxias.

O trabalho foi publicado na última edição da prestigiosa revista britânica “Nature”.

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