Covers: Além do fanatismo

| 15 de out de 2014
| Por Fábio Duran

Não é difícil encontrar fãs de cantores, cantoras, grupos ou bandas que já fizeram loucuras pelo ídolo, e outros que vão além do fanatismo. Existem casos em que a admiração para com o artista faz com que a pessoa comece a imitá-lo, mesmo que inconscientemente, através de roupas e cortes de cabelo, por exemplo. As histórias que apresentaremos mostram que a admiração pelo artista o fez ser ele, ou quase.

Do pop

“Desde a primeira vez que eu vi a Britney, no clipe de ‘Baby One More Time', eu virei pra minha mãe e falei: 'Mãããããe, eu quero ser que nem essa garota!'. E assim começou um grande sonho, do qual eu jamais imaginei a proporção que iria tomar”, conta Francine Porto, 28, cover da cantora norte-americana Britney Spears há mais de dez anos.

Natural de Porto Alegre (RS), Fran Porto é cantora, dançarina e modelo. Ela esbanja beleza e carisma por onde passa e sua semelhança com a Britney impressiona os fãs. “Por incrível que pareça, eu não me acho parecida com a Britney, eu me esforço pra que a maquiagem seja igual à dela, os movimentos, a dança, a voz. Acho que, depois de tanto estudo, é a forma mais natural do reconhecimento vir em minha carreira”, diz Fran e ressalta a diferença entre cover e sósia.

Francine Porto se apresenta no Programa Máquina da Fama -  Reprodução/SBT

Sósia é aquele que é parecido com um artista, já o cover, presta um tributo a ele da sua própria maneira. “Eu resolvi, depois de tanto tempo, aderir a uma nova categoria, chamada ‘Impersonator’, que é quem personifica o artista de uma forma mais fiel, seja em trejeitos, figurinos ou até mesmo cantando”, explica. Fran Porto já se apresentou em várias cidades do Brasil, e até no exterior. “Fiz campanhas de lançamentos de fragrâncias Britney Spears by Elizabeth Arden para a região do Paraguai”, conta.

Suas apresentações são totalmente inspiradas nas da Britney onde há dois anos esta com um produtor, no qual discutem ideias, analisam e estudam todas as possibilidades para a execução dos números, juntamente com coreógrafos e dançarinos. Um trabalho conjunto. Ela diz que de modo geral, fãs e contratantes desconhecem os custos para um show ficar pronto, no que inclui a viagem, figurinos, coreógrafos, ensaios. “Não quero chegar pra fazer um show com um figurino feio ou sem manutenção, muito menos com os dancers fora de sincronia. Ensaiamos praticamente todo final de semana, mesmo quando temos show no dia, muitas vezes, saímos do ensaio direto para o aeroporto”, ressalta. A equipe e ela buscam fazer o melhor trabalho. Sua missão não é fazer apenas um show, mas um espetáculo, independente de onde esteja. “Meu objetivo não é só prestar um tributo para a minha diva Britney Spears, mas sim, encantar a todos os que estão prestigiando o meu show, para que possam se sentir como se estivessem no show da própria”, enfatiza.

Ela prefere manter a imparcialidade quando perguntamos sobre as polêmicas de seu ídolo. “Ah, não gosto de julgar ninguém, quem nunca fez uma loucura, né?! O que eu posso dizer é que sempre vou querer o bem dela”, finalizou dizendo que ser cover foi sua maior loucura. “Sou louca por ela! Britney, eu amo você!”.

Ao rock

O sorocabano Dalizio Moura, 47, é cover do Elvis Presley há 14 anos. Ele conta que tudo deu início por acaso, na época em que morava na Itália. Começou a ser fã do Rei do Rock em 1985, ainda em Sorocaba (SP), por influencia do pai. Dalizio ouvia as Rock’n’Roll e o pai as mais românticas. A partir de então começou a se interessar a tocar e cantar.

Em 2000 trabalhava como motorista na Itália, onde recebeu proposta para cantar em uma pizzaria de Pescara. Após elogios em sua apresentação mista, o dono pediu para que ele cantasse algo mais animado, que atraísse o público de alguma maneira. Logo contou que era fã do Elvis, que cantava suas músicas e que poderia tentar vestir-se como o artista. Foi então a sua primeira apresentação, em 08 de julho de 2000, com camisa e calças brancas e o cinto da mãe. Na apresentação, o Sorocabano brincava com sua aparência como forma a minimizar o ‘ridículo’ que o improviso deixou; mas as brincadeiras continuam até hoje, tornou-se parte da apresentação.

Embora sentisse caricata e até mesmo uma ofensa ao Rei do Rock, um repórter do jornal local e responsável por alguns concursos de misses e canto, assistiu a apresentação e se interessou pelo ‘cover’. Perguntou há quanto tempo imitava o Elvis, ele então respondeu: “que eu imito o Elvis, olha, faz umas duas horas e meia”, brincou. O jornalista então o convidou a participar de um concurso, com as seguintes condições: cantar apenas Elvis, sem ajuda financeira e aos finais de semana, onde as viagens também não seriam pagas. Dalizio aceitou. Ele então se apresentou por toda a Europa e ganhou o concurso. Como prêmio, gravou um disco com oito faixas. As vendas do CD foram revertidas a uma pesquisa sobre a cura o câncer.

Dalizio Moura, cover de Elvis Presley - Foto: arquivo pessoal

Foi então convidado a programas de TVs da Itália para apresentar o CD. “Só que eu fui desenvolvendo, lógico. Eu mandei uma pessoa fazer uma calça mais digna”, conta animado. Coincidência ou não, Dalizio trabalhou como cover por seis anos na Europa, loiro. Elvis também era. E só começou a tingir o cabelo quando começou as apresentações no Brasil, a pedido dos contratantes.

Sua primeira apresentação no Brasil foi em 2006, em um botequim de Sorocaba, que através de divulgação atraiu os jornalistas da cidade. “A imagem do Elvis é muito forte”, justifica. Atualmente Dalizio é contratado para eventos corporativos, aniversários e casamentos. “Este ano já foram quatro aniversários de 15 anos, o que impressiona, pois Elvis Presley morreu há 37 anos”, recorda.

Ser cover do Rei do Rock não é tarefa fácil. Voz, postura, conhecimento e figurino são essenciais para a aceitação do publico, ainda mais para ele, que considera-se pouco parecido com o artista, exceto pelas costeletas. Dalizio têm 15 peças de roupas para as suas apresentações, em que sua esposa, que é costureira, faz. Eles compraram os moldes dos Estados Unidos, ajusta para o seu corpo, e alguns acessórios são importados. Uma de suas peças sai a R$1600 reais a preço de custo. “A empresa que fazia as roupas do Elvis ainda existe e vendem as roupas. As peças vão de mil a quatro mil dólares, e quando chega ao Brasil, a receita cobra 60% do que você pagou. Então se você paga 10 mil na roupa ela fica em 16 mil reais. E é só uma roupa”, reclama.

Ele conta que nos últimos cinco anos ele não ouve mais comentários preconceituosos do tipo “você não tem identidade, personalidade própria”. Dalizio conta que o maior preconceito que passou foi com os organizadores de um evento da cidade de Votorantim (SP), em 2008, que seria realizado no dia do rock. “Eu liguei para a organização e propus uma apresentação como tributo ao Rei do Rock, mas ouvi: ‘a gente não quer cover, só quer coisas originais. Você não tem musica própria?!’”, contou. Ele tentou justificar que seria um tributo ao Elvis e que não iria receber pela apresentação, queria apenas homenagear o seu ídolo, mas os organizadores não cederam. “Por fim não houve o festival, os bombeiros não deram o alvará e eu não fui cantar”, concluiu. Passados três dias ele foi contratado pela Prefeitura de Sorocaba (SP) para o show no Parque das Águas localizado na Zona Leste da cidade, também no dia do Rock. E assim fez sua esperada homenagem.

Dalizio não esconde sua paixão pelo Elvis, onde criou o “Elvis Forever Fan Club Sorocaba Brasil”. A sede fã-clube fica em sua casa, que têm um salão que acomoda cerca de 80 pessoas. Ele também conta que deu ‘uma fugidinha’ de retiros espirituais para poder cantar músicas do ídolo em local mais isolado, e depois retornar. “Não tem um dia na minha vida, desde que sou fã do Elvis, em que não escutei uma música dele”, finalizou.

Por Fábio Duran - Redação Curiozitty
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