Camarão que brilha no escuro pode ser a chave para vida alienígena

| 25 de nov de 2014
Camarões que rastejam em torno de chaminés de rochas que expelem água quente, no fundo do mar do Caribe, podem ser uma pista essencial sobre os tipos de vida que podem existir em ambientes extremos de outros planetas, segundo a NASA.

Camarões da espécie Rimicaris hybisae são descobertos nas águas quentes do mar do Caribe
(Foto: Chris German/ NASA)

De acordo com exobiólogos - especialista que estuda a possibilidade de vida extraterrestre - da NASA, estes camarões misteriosos e suas bactérias simbióticas podem conter pistas “sobre como poderia ser a vida em outros planetas“. Estas formas de vida seriam semelhantes, em um nível básico, ao que deve estar escondido nos oceanos da Europa, uma das luas que orbitam Júpiter.

Max Coleman, pesquisador sênior do JPL-NASA (Jet Propulsion Laboratory), diz que sua equipe se concentrou “em um ecossistema misterioso no Caribe para obter pistas sobre como poderia ser a vida em outros planetas, como na Europa – lua congelada de Júpiter – que tem um oceano subterrâneo”.

Esse ecossistema está a 2.300 m de profundidade no Mar do Caribe, ao sul das ilhas Cayman. Os camarões da espécie Rimicaris hybisiae vivem próximos a fontes termais que chegam a 400°C e é muito, muito escuro. A água ao redor das fontes, no entanto, é morna o suficiente para que o camarão possa viver nela.

Já a água extremamente quente que sai das aberturas é onde cresce o alimento desses animais. Esses camarões-vagalume, que brilham no escuro, se alimentam se alimentam de carboidratos produzidos pelas bactérias que vivem dentro das fendas, que ingerem sulfeto de hidrogênio. Por isso, eles vivem entre a água sulfurosa das fontes termais (que alimenta as bactérias) e a água oxigenada do oceano (para respirarem). Eles são cegos, mas têm sensores térmicos na parte de trás de suas cabeças. 

Em dois terços da história da Terra, a vida existiu apenas na forma microbiana. Na lua Europa, a maior chance de encontrar vida é na forma de micróbios. (…) O objetivo geral de nossa pesquisa é ver o quanto a vida ou a biomassa pode ser sustentada por fontes termais de água subterrânea. (…) É um sistema simbiótico notável. - dizem os pesquisadores

A pesquisa é baseada em espécimes coletados em fontes hidrotermais do Caribe, descobertos pela primeira vez em 2009 e revisitados em 2012. O estudo mostra como esses seres sobrevivem em tais condições extremas.

"Se um animal como este poderia existir na Europa depende muito da quantidade real de energia que é liberada lá, através de fontes hidrotermais", explica Emma Versteegh, uma estudante de pós-doutorado no laboratório.

Porém, se os camarões, que vivem na costa oeste de Cuba, não conseguem encontrar bactérias para produzirem carboidrato, eles não morrem. Se tornam carnívoros ou até canibais. Os pesquisadores encontraram pedaços de crustáceos nas entranhas dos camarões e, já que não há uma grande oferta de animais da família dos crustáceos nessa região, os cientistas acreditam que eles comem seus semelhantes quando necessário.


Para saber mais sobre isso, é preciso enviar uma missão submarina para essa lua de Júpiter. Adam Steltzner e seus colegas do JPL sonham com isso há tempos, e ela deveria acontecer o quanto antes.

.via Gizmodo e O Globo com informações da Nasa
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