Está extinta a rivalidade na música?

| 25 de nov de 2014
| Por Fabiano Correa

Atualmente ainda existe uma espécie de rivalidade na música, mas não remete somente a questão musical, mas também envolve ideologias, política, classe social, estética, etc. Entre outras acontecem brigas de punks com skinheads ou metaleiros, gospel e católico, funk e rap, sertanejo e pagode, e outros.

Não existem barreiras entre os estilos musicais, são apenas diferentes identidades
Ilustração por James Stewart/Reprodução

Alguns especialistas dizem que as brigas entre grupos de qualquer gosto musical é consequência direta dos tempos complicados em que vivemos, mas há também o caráter ‘infantil’ de tais brigas. Como foi o caso da auxiliar de serviços gerais Jessica Oliveira da Silva, 23, que pelo fato de gostar de pagode ouvia comentários dizendo que era som de negro. “Na infância e adolescência os meus colegas diziam que pagode era coisa de negro, mas eu não ligava sobre o que eles diziam e normalmente eram aqueles que gostavam de música eletrônica”.
Outros casos são as músicas religiosas como a gospel e a católica, que ainda existem barreiras entre elas, mas menor nos dias de hoje. A operadora de atendimento Raquel Silva, 25, que já cantou no Coral da igreja Assembleia de Deus conta: “Antes a música gospel era bem criticada pelo publico jovem, inclusive eles tiravam sarro dizendo ‘aleluia irmãos’, mas hoje em dia é bem aceito e existem muitos grupos que não seguem religião e que falam de Deus e mensagens de sabedoria, e são aceitos pelos evangélicos e católicos”.

Para a Socióloga e professora do Ceunsp, Ana Maria Azevedo, a questão dos estilos e gostos não é diferente de outras questões de identidade, e o respeito é essencial para um bom convívio: “As diferenças e diversidades é algo rico, é muito bom, o problema é a questão da tolerância e isso é visto com preocupação na nossa sociedade, o que parece haver é a falta total de discernimento, por exemplo, a pessoa que coloca o som muito alto e sai com o carro. Ele está invadindo o espaço do outro e isso não importa o estilo musical, outras pessoas não pediram para ouvir e não são obrigadas a escutar sendo que o espaço é de todos, é questão de cidadania”.


Série Faces do preconceito
Este texto é uma colaboração da 19ª edição da Revista Foca.
Acesse http://bit.ly/rfoca19, leia e conheça o projeto.

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