Com preconceito não se brinca

| 8 de dez de 2014
| Por Isabella Formenton

De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o preconceito está em 99,3% do ambiente escolar, a pesquisa foi realizada entre professores, funcionários e alunos. Ela também aponta que em 94,2% dos entrevistados assumem terem sofrido preconceito étnico- racial.

A estudante paulista Beatriz Costa, 16 anos, é uma das pessoas envolvidas na estatística. Ela já foi xingada algumas vezes com palavras racistas como “macaco”, mas não deu muita importância. “Eu devolvi com outra palavra feia, mesmo que não tenha dado muita moral ao preconceituoso, isso me marcou”, disse. “Nem mesmo meus pais souberem, não achei que havia necessidade, mas acho que no Brasil deveria ter punições severas aos agressores e também deveria cuidar de quem sofre, porque eles são bem mais importantes”, desabafou.

Já a estudante mineira Larissa Valadão, 15, diz que sofre um preconceito comum, mas pouco discutido na mídia. “Sofro preconceito todos os dias e não só na escola, mas também na rua. Já fui parada por pessoas na rua que me confundiram com albinos, mas eu não sou albina, embora seja muito branca. Isso me machuca muito”, desabafa Larissa. “As pessoas pensam que só os negros sofrem disso, e acabam não dando muita importância aos outros tipos de preconceito racial e a mídia acaba não revelando, o que contribui mais para os agressores acharem que podem fazer piadinhas de mau gosto comigo o tempo todo”.

O Advogado paulista Thiago Rodrigues, diz que não há muitos registros de discriminação com brancos, “pelo menos nunca ouvi nada sobre o caso”, diz. Mas o preconceito já gerou um desconforto muito grande a sociedade. “Muitas vezes eu vi alguns vizinhos discutirem com agressões racistas e depois acabarem na justiça”, conta. “A grande maioria das pessoas acabam nos procurando por sofrerem principalmente, no trabalho”, disse. “Existem poucas leis para banir um agressor racista e em muitas das vezes são aplicadas com indenizações ou trabalhos voluntários”, pondera. “Um país como o Brasil deveria punir com mais severidade uma pessoa que agride tanto verbalmente, quanto fisicamente. Não podemos continuar assim, tem que haver um fim para tantos atos num país onde se aceita todos os tipos de etnias”.


Série Faces do preconceito
Este texto é uma colaboração da 19ª edição da Revista Foca.
Acesse http://bit.ly/rfoca19, leia e conheça o projeto.

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