Herdeiro do samba

| 9 de jul de 2014
Releitura da obra Roda de Samba de Carybé
– por Kátia Almeida
Genuíno do Brasil, o pagode surgiu no Rio de Janeiro na década de 1970, em festas dadas em fundos de quintais, regadas por muita alegria, bebida e samba. Motivo pelo qual o pagode é usado como sinônimo aos sambistas, pois muitos se valiam desse nome para suas festas.

O grupo Fundo de Quintal, formado em 1981, foi um dos pioneiros do estilo. Mas foi na década de 1990 que o pagode estourou com outros grupos como Raça Negra, Katinguelê, ExaltaSamba e Negritude Junior, que adotaram um tom mais romântico nas composições.

Com o passar dos anos o estilo musical foi dividindo espaço para outros tipos de música como o rock, o funk e o sertanejo universitário, mas mesmo assim o pagode continua vivo no cenário musical brasileiro. Uma pesquisa realizada em dez rádios brasileiras em julho de 2010, pela Editora Abril, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal mostrou que o pagode representa 32% das músicas mais pedidas nas principais rádios do país, seguido pelo sertanejo (20%), internacionais (16%), pop/rock Nacional (14%), forró (10%), axé (4%) rap (2%) e funk (2%).

A nova geração de pagode do país vem conquistando cada vez mais espaço, como os grupos Jeito Moleque e Turma do Pagode, por exemplo. E nesta nova geração está o Samba de Quinta, que surgiu das apresentações que um grupo de amigos faziam todas as quintas-feiras em um restaurante. “As pessoas perguntavam o nome do conjunto, e como tocávamos todas as quintas, ficou o nome”, contam.

Inspirados nas canções do grupo Fundo de Quintal, de Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Revelação, o Samba de Quinta se apresenta há três anos e recentemente lançaram o primeiro CD. “As dificuldades foram muitas, mas a maior delas foi gravar o nosso cd, pois não temos um empresário. Graças a Deus e a nossa força de vontade conseguimos realizar o nosso trabalho.”, comemoram.

O grupo, composto pelos pagodeiros Emerson (Filé), Jeferson (Jê), Silvio (Silo), Paulo (Paulinho) e Jeferson (Jefão), se apresenta com repertório próprio. “O nosso compositor faz parte do grupo, o Paulinho, ele tem um talento maravilhoso para a composição”, e completam “ele vem compondo belas letras para o nosso repertório.”.

Embora o caminho para o sucesso e o reconhecimento ser longo e trabalhoso, eles não se abalam com as dificuldades e são objetivos. “Quando começamos a nos apresentar sabíamos das dificuldades que íamos encontrar pela frente, e em todas elas nós erguíamos a cabeça e seguíamos em frente, porque somos como uma família, e muito unidos”. O lançamento do CD foi um dos pontos fortes para que o conjunto ampliasse o reconhecimento do publico e dos contratantes, “o público teve mais acesso ao nosso trabalho e como consequência as portas se abriram, e cada vez mais a gente está sendo chamado para fazer show”, celebram.

Por Fábio Duran e Miriam Santos
Redação Curiozitty
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